Atenuação de ruídos aéreos em poços de ventilação

Os poços de ventilação (regra geral para banheiros) se constituem em solução arquitetônica procedente para seu fim, porém cuidados com as desagradáveis transmissões recíprocas de ruídos entre unidades autônomas devem ser observadas e combatidas, sob pena de geração de desconforto ambiental grave.

Se por um lado as aberturas (janelas) se fazem necessárias para a promoção da ventilação adequada, por outro lado se constituem em fontes e/ou receptoras de ruídos, uma vez que a propagação do som se dá em todas as direções, conforme abaixo:

Em função das diferenças de percursos de propagação do som, o desconforto é aumentado na medida em que se ouve um mesmo som em dois ou mais tempos diferentes: via direta e via reflexões múltiplas no interior dessas caixas acústicas. Esta questão clássica de compatibilização de ventilação natural com bloqueio de ruídos aéreos, em volumes que evidenciam tubos, é de solução delicada, devendo ser bem aplicados dois conceitos básicos combinados para atenuações dos ruídos a patamares aceitáveis: absorção acústica e barreiras acústicas.

A absorção acústica procede em função da atenuação parcial da energia sonora incidente nas paredes. Deve-se atentar para o fato de que os índices de absorção acústica do revestimentos a serem adotados dizem respeito à energia sonora e não a decibéis (dB), conforme exemplificado abaixo:

As barreiras acústicas são anteparos posicionados entre a fonte produtora do ruído e o receptor. Neste caso deve-se atentar para o princípio da difração do som que, tangenciando uma barreira acústica de massa adequada, passa a ser ouvido a distâncias diferentes do seu outro lado, de acordo com a faixa de freqüência.

Como o caso em questão diz respeito a ruídos aéreos, deve-se atentar para as médias e altas freqüências (a partir de 500Hz), conforme exemplificado a seguir:

A combinação correta desses dois conceitos é que promoverá atenuações de ruídos a patamares satisfatórios conforme cada caso específico:

Ainda se tem a opção de adoção de atenuadores (abafadores) individuais de ruídos junto às esquadrias, mais comumente utilizados quando de intervenções isoladas, sem qualquer prejuízo da ventilação:

Ruído de impacto em lajes de concreto armado

Impactos quaisquer em quaisquer superfícies rígidas produzem vibrações que geram ruídos perceptíveis ao ouvido humano a partir da freqüência de 20Hz (baixa freqüênci'a).

Nosso objeto de análise é então a atenuação de tais efeitos. O processo vibratório de uma laje de concreto armado promove transferência de vibrações para os apoios. Esses apoios, uma vez conectados às paredes do pavimento imediatamente inferior, induzem-nas à vibrarem, tornando-se fontes secundárias de ruídos:

Nesses termos, a adoção de forro no pavimento inferior em muito pouco ou quase nada contribui para as atenuações de tais ruídos. E, dependendo do afastamento desse forro à laje, o sistema pode se constituir em instrumento de ressonância (tambor), cuja função é a de realçar ruídos:

Na medida em que se aumenta o vão entre apoios de uma laje e mantém-se sua espessura, diminui-se a sua rigidez, tornando-a mais susceptível a vibrar sob pequenos impactos (e a transmitir). E na impossibilidade de se aumentar substancialmente sua massa, torna-se imperativo a adoção de bases elásticas sob os pisos:

No desinteresse da adoção do acima exposto e possível interesse do uso de lajes nervuradas de qualquer natureza (pequenos capeamentos de concreto - as nervuras só têm função estrutural), torna-se imperativo a utilização de pisos flutuantes:

Lã de rocha de alta densidade, lã de vidro de alta densidade, bidin, borracha, poliestireno extrudado e polietileno expandido dentre outros, se adequadamente dimensionados, podem se constituir em boas bases elásticas.

Na hipótese de utilização de forro (regra geral em gesso acartonado) sob a laje, gerando acabamento e escondendo as possíveis instalações elétricas e/ou hidráulicas, é de importância vital que o mesmo esteja desconectado das paredes e a proceder a uma substancial absorção acústica sobre o mesmo, condizente com o processo vibratório do conjunto, sob pena do sistema se tornar uma caixa de ressonância (realçando ruídos).

Para o exposto no item anterior, qualquer material ou sistema absorvente acústico às baixas freqüências cabe, desde que adequadamente dimensionado. Não são aconselháveis no caso as espumas absorventes, posto que as mesmas são, regra geral, excelentes absorvedoras às médias e principalmente às altas freqüências, e a questão é de ruídos de baixas freqüências.

Ruído aéreo via paredes

Uma pressão acústica incidente sobre uma parede vai induzi-la a um processo vibratório. E é este processo vibratório que irá gerar, do outro lado dessa parede, uma fonte secundária de ruído. Este é o princípio da transmissão de sons/ruídos.

Isto posto conclui-se que a massa de uma superfície qualquer está diretamente relacionada com a sua capacidade de isolamento acústico: quanto menor sua massa, maior a probabilidade dela vibrar e consequentemente dela transmitir. Então, a situação inversa também é verdadeira.

À frequência de 500Hz, o isolamento acústico com base na sua densidade superficial é dado por 20 x log10(δS).

Aspecto relevante no que diz respeito à capacidade de isolamento acústico de sistema de materiais, consiste em gerarmos espaços vazios no seu interior, ou ainda preenchidos com material absorvente acústico, conforme exemplificado a seguir:

Paredes então compostas por apenas duas placas de gesso acartonado (12,5mm x 2 = 25mm), com câmara de ar entre as placas, promovem isolamento acústico da ordem de 29dB (500Hz), desde que completamente estanques: insuficiente para o caso de um quarto de dormir.

No entanto, a partir da adoção de material elástico no seu interior (lãs minerais, preferencialmente de alta densidade), este isolamento poderá atingir o patamar de 35dB (500Hz): suficientes, porém no limite para quartos de dormir.

Fator de pouca relevância que pode ser considerado no caso consiste na atenuação dos ruídos produzidos nos ambientes contíguos aos quartos de dormir. Isso se dará pelo aumento substancial das suas várias superfícies absorventes (piso, paredes, teto, mobiliário, tecidos, pessoas, etc.). Mas esta questão é objeto de texto apropriado.

Ruído doméstico

Já há muito, desde a segunda metade do século passado, vem sendo feitos estudos e publicações a nível internacional, incentivados pela Organização Mundial de Saúde, sobre questões de ruídos e seus efeitos sobre o homem.

Médicos, fonoaudiólogos e outros especialistas já dispõem de bibliografia extensa sobre os malefícios causados por esse subproduto do progresso:

Não importa a procedência: seja o ruído aeronáutico, ruído urbano, ruído industrial, nos grandes escritórios ou centros comerciais e até mesmo em habitações isoladas (eletrodomésticos em funcionamento), o ruído incomoda e causa malefícios à saúde: isto é fato inquestionável, largamente estudado e comprovado cientificamente.

E à noite, após um dia estressante? Na hora em que pensamos que vamos dormir, hora em que o nível de ruído urbano é baixo e em princípio todos no apartamento estejam dormindo, começamos a perceber outras fontes de ruído que, conforme o grau de sensibilidade do receptor, são incômodos acessórios altamente irritantes: o toc-toc do sapato do vizinho do andar superior, as conversas desagradáveis e impróprias que se ouve pelas janelas de banheiros voltadas para poços de ventilação, o fluxo de líquidos da descarga de um vaso sanitário, o cavalo-de-pau dado na rua próxima e tantos outros.

A Arch-Tec preocupou-se também com estas questões "menores". Ensaios e estudos foram feitos ao longo dos anos, palestras foram proferidas e nenhuma contestada, e hoje desenvolve tecnologia própria. Regra geral, por razões técnicas inerentes a cada caso específico, não se consegue bloquear integralmente tais transtornos, mas seguramente atingem-se atenuações de ruídos bastante satisfatórias.

Serviços

Projetos e execuções de isolamentos e condicionamentos acústicos:

As soluções acústicas adotadas nos projetos envolvem tanto a utilização de produtos industrializados (nacionais e importados) bem como de outros elementos produzidos pela Arch-Tec especificamente para cada caso.